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Wilson Teixeira Soares, Jornalista Artigo publicado no Jornal do Brasil em 28 de dezembro de 2007 O que os gestores do DER-DF deveriam ter realizado antes de decretar o fim do Eixão do Lazer, em virtude das obras de reconstrução da via Epia, a Ong Rodas da Paz tratou de fazer. No domingo, 23, e no dia do Natal, Rodas da Paz armou a barraca no Eixo Rodoviário para ouvir os usuários do Eixão do Lazer. E para colher assinaturas em um abaixo-assinado.
Com um objetivo singelo: convencer o governador José Roberto Arruda de que interromper a existência do Eixão do Lazer por 30 dias era uma rematada inutilidade. Entre 8h30 e 16 horas dos dias 23 e 25, o presidente da Rodas da Paz, Maurício Machado Gonçalves, e o ex-presidente da Ong, Leandro Salim Kramp, abordaram todo tipo de cidadão que, aos domingos, entrega-se ao lazer no Eixão. Nesse lapso de tempo, cerca de 2000 pessoas endossaram – desnecessário o proselitismo – a solicitação para que fosse revista a decisão de entregar, de mão beijada, o Eixo Rodoviário aos veículos automotores aos domingos. Dos que endossaram o documento, a esmagadora maioria é proprietária de automóveis. Alguns, até de três. O que transmitiu à direção de Rodas da Paz a convicção de que a margem de erro da consulta foi inferior a 3%. Desse universo, mais de 90% são motoristas. Pessoas de idade as mais diversas que, formal e documentalmente, manifestaram-se avessas ao fim do Eixão do Lazer. E para quem o DER ensaiava os primeiros passos para secar a praia do brasiliense. Verdade? Falso sentimento? Não importa mais. O que interessa é que o fechamento do Eixão do Lazer, que não mitigaria os problemas do trânsito no Distrito Federal, foi abortado com agilidade. Rápido no gatilho, o governador Arruda percebeu que a abertura do Eixo Rodoviário aos veículos automotores aos domingos representaria um retrocesso. E ao contrário da maioria dos governantes que prefere aguardar o resultado de ações burras para depois intervir, deu uma indiscutível demonstração de bom senso. A decisão do governador revela ter ele consciência plena de que ciclistas e pedestres não conquistaram, ainda, o direito de transitar em segurança nos espaços públicos. Demonstração de descortino que revigorou o compromisso, por ele assumido com a sociedade no dia 17 de junho deste ano, de implantar uma malha cicloviária na cidade. Cujo primeiro passo foi a inauguração da ciclovia do Varjão. Iniciativa justa, adequada, na medida em que os cidadãos mais carentes da população ainda não foram atendidos em seus direitos de pedestres. Afinal, nas periferias das grandes cidades o pedestre e o ciclista-operário são constrangidos a se deslocarem por caminhos improvisados, insalubres, perigosos, correndo riscos diários de vida, ao disputarem espaços com os veículos nas ruas. Ao descartar a precipitada intenção do DER, que implicaria a vitória do rodoviarismo insensato, o governador Arruda emitiu, ainda que implicitamente, um sinal. O de que não reza pela cartilha dos que entendem que as vias públicas são propriedades preferenciais, quando não privadas, dos automóveis. Se essa crença, como tudo indica, for de fato verdadeira, ela embute um importante significado. O de que a sua administração vai se empenhar para reorganizar o trânsito na cidade com foco, acima de tudo, nos grupos mais frágeis. Pedestres, pessoas com necessidades especiais, crianças, ciclistas e idosos com restrições físicas. Segmentos da sociedade que amargam condições extremamente adversas ao exercitarem o direito da locomoção. |